A decisão do Partido Novo de lançar uma chapa pura à Presidência da República, tendo o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, como candidato e o senador Eduardo Girão (Novo-CE) como vice, anunciada nesta terça-feira (04), já provoca análises sobre seus reflexos não apenas na campanha nacional como também na disputa local do Ceará.
Para o presidente do Novo no Rio Grande do Norte, Renato Cunha Lima, a principal consequência no Ceará, onde a saída de Girão da disputa pelo Governo deixa mais tranquila a candidatura de Ciro Gomes (PSDB), que deve ampliar sua vantagem e caminhar para uma vitória “ainda no primeiro turno”.
Segundo o dirigente, ouvido pelo Bnews RN, a mudança altera completamente o cenário eleitoral cearense ao retirar da disputa um candidato que aparecia como o terceiro colocado nas pesquisas. E esses votos devem migrar para Ciro.
“A princípio é uma situação muito boa para Ciro Gomes. Você tira o terceiro colocado e não tem mais outro candidato do mesmo porte. Nessa situação fortalece a vantagem para Ciro Gomes ser eleito em primeiro turno. Não tem nem segundo turno lá”, avalia Renato.

Na análise do presidente estadual do Novo do RN, o impacto não se limita ao Ceará. Ele acredita que uma definição da eleição num estado do Nordeste já no primeiro turno com um candidato anti Lula também favorece o campo da direita na disputa presidencial.
“Então é excelente. Você praticamente mata a eleição no primeiro turno e, no segundo turno da eleição presidencial, não vai ter candidato levando gente para votar em Lula”, ressalta.
Girão estava cotado para governador antes do anúncio
A oficialização de Eduardo Girão como candidato a vice-presidente foi anunciada nesta terça-feira (4), poucas horas antes da convenção do Novo no Ceará.
O senador pretendia disputar o Governo do Estado e era o nome preferido da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para representar o campo conservador na eleição cearense. A escolha de Girão era defendida por Michelle antes do PL decidir apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PSDB), decisão que provocou divergências internas e chegou a gerar atritos públicos entre ela e integrantes da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Com a mudança, Girão passa a integrar a chapa presidencial de Romeu Zema, enquanto o Novo abre mão de disputar o Governo do Ceará com candidatura própria.
Chapa pura e estratégia nacional
Ao confirmar Eduardo Girão vice de Zema, o Novo optou por uma chapa composta exclusivamente por filiados da legenda. A direção nacional chegou a discutir a possibilidade de convidar nomes de outros partidos para ampliar alianças e garantir maior tempo de propaganda eleitoral, mas decidiu preservar a identidade partidária.
Nos bastidores, também houve conversas envolvendo outras composições, inclusive com o Avante, mas as negociações não avançaram.
A estratégia, no entanto, traz um desafio para a campanha presidencial. Sem formar coligação, o Novo terá pouco espaço na propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão, concentrando sua campanha nas redes sociais, agendas de rua e entrevistas.
Repercussão no Ceará
A saída de Girão da disputa estadual tende a reorganizar o cenário político cearense. Mas mesmo deixando a disputa estadual, Girão permanece como uma das principais lideranças do Estado e do Novo no Congresso Nacional.
Em seu primeiro mandato no Senado, consolidou-se como uma das vozes mais atuantes da legenda em pautas de combate à corrupção, redução do tamanho do Estado e críticas ao Supremo Tribunal Federal.
Por BNews Natal





