Um levantamento mostrou que 57 dos 76 principais doadores individuais da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocupam cargos no governo federal ou em empresas estatais. O grupo fez contribuições de pelo menos R$ 2.500 diretamente à campanha.
Segundo os dados analisados pela Folha de S.Paulo, as doações dos servidores e dirigentes somam R$ 425 mil. Desse total, R$ 355 mil foram transferidos em dinheiro e outros R$ 70 mil correspondem a serviços estimados na prestação de contas.
O montante representa uma parcela pequena dos R$ 66,9 milhões declarados pela campanha de Lula até o momento. A maior parte desse valor, R$ 65,2 milhões, veio dos fundos eleitoral e partidário repassados pelo PT.
A reportagem identificou os ocupantes dos cargos a partir de dados da plataforma Divulgacand, da Justiça Eleitoral, além de consultas ao Portal da Transparência e às páginas institucionais das estatais. Entre os doadores aparecem ministros, secretários, diretores, assessores e dirigentes de empresas públicas.
Cinco ministros estão entre os 57 doadores. Miriam Belchior, da Casa Civil, contribuiu com R$ 28 mil; Luiz Marinho, do Trabalho, com R$ 24 mil; José Guimarães, das Relações Institucionais, com R$ 13 mil; Leonardo Barchini, da Educação, com R$ 10 mil; e Márcia Lopes, das Mulheres, com R$ 4 mil. Belchior também integra o Conselho de Administração de Itaipu.
Questionado sobre uma eventual recomendação para que integrantes do governo fizessem doações, Guimarães negou ter recebido orientação.
– Não, [a doação] foi iniciativa minha – afirmou.
A campanha de Lula negou ter solicitado dinheiro a integrantes do governo.
– Jamais houve qualquer orientação ou pedido de doações por parte de integrantes do governo – diz nota da campanha de Lula à Folha.
– As contribuições ocorrem de forma voluntária e individual, como é facultado a qualquer cidadão, dentro dos parâmetros previstos pela legislação eleitoral – declarou a campanha.
O Ministério da Educação, que teve o maior número de doadores identificados, também negou qualquer orientação para contribuições. Em nota enviada à Folha, a pasta afirmou que as decisões foram tomadas individualmente.
– Não houve qualquer orientação, incentivo ou solicitação do órgão para a realização dessas doações – declarou o Ministério da Educação. Segundo a pasta, “trata-se de uma decisão de cunho estritamente pessoal”.
A Casa Civil, órgão com o segundo maior número de doadores identificados, também afirmou que eventuais contribuições não tiveram relação com as atividades da pasta.
– Eventuais doações são decisões individuais, realizadas em caráter privado e sob responsabilidade de cada pessoa, sem relação com a atuação institucional da pasta – disse a Casa Civil por meio de nota.
As Relações Institucionais seguiram a mesma linha e destacaram as regras para contribuições de pessoas físicas.
– Eventuais doações realizadas por integrantes da pasta são resultantes de decisões individuais, tomadas em caráter privado. Como se sabe, a legislação eleitoral prevê a realização de doações por pessoas físicas, desde que observados os limites cabíveis e demais requisitos legais – afirmou a pasta.
O Ministério do Trabalho também negou qualquer orientação, incentivo ou solicitação institucional para doações.
– A legislação eleitoral autoriza doações de pessoas físicas, observados os limites e requisitos legais, mas salientamos que não houve qualquer orientação, incentivo ou solicitação do órgão para a realização de doações – afirmou em nota o Ministério do Trabalho.
O Ministério das Mulheres, por sua vez, disse que eventuais contribuições de seus integrantes são de responsabilidade dos próprios doadores.
– Eventuais doações realizadas por agentes públicos são decisões individuais, de caráter privado, sob responsabilidade exclusiva de cada doador, sem qualquer relação com a atuação institucional desta pasta – afirmou o Ministério das Mulheres.
Por Pleno News





