O clima de aparente unidade na chapa governista que disputará as eleições de 2026 sofreu um duro revés e implodiu na região do Mato Grande. O diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) em João Câmara emitiu, na tarde deste domingo, 31/05/2026, uma contundente nota de repúdio contra o ex-deputado e pré-candidato ao Senado, Rafael Motta (Avante). O manifesto é um desdobramento direto de um discurso desastroso proferido pelo parlamentar na noite de sábado, 30/05/2026, no município.
Durante seu pronunciamento público em um ato político na cidade, Rafael Motta declarou abertamente que sua missão política incluía “resgatar a Prefeitura de João Câmara”. A fala caiu como uma verdadeira bomba de efeito retardado nos bastidores, sendo classificada imediatamente como um ato de “fogo amigo”. Isso porque o Palácio do Mato Grande é comandado pela prefeita Aize Bezerra, que integra a base aliada e apoia formalmente a chapa governista encabeçada por Cadu Xavier (pelo Governo) e que tem a petista Samanda Alves e o próprio Rafael dividindo as atenções na corrida senatorial.
A insatisfação do grupo político escalou rapidamente e o PT de João Câmara decidiu vir a público para demarcar território e defender a gestão municipal das críticas do próprio aliado de chapa. Na nota oficial de repúdio, os dirigentes petistas locais subiram o tom e alertaram que o pré-candidato agiu de forma desnecessária, criando ruídos e desgastes gratuitos para o arco de alianças liderado pela governadora Fátima Bezerra.
“As falas do pré-candidato a senador não comungam com o pensamento do diretório. O pré-candidato ao Senado, Rafael Motta, deve se policiar em suas falas, principalmente porque tem o apoio da governadora Fátima e do grupo do PT estadual”, disparou o diretório petista de João Câmara em trecho do documento.
O episódio em João Câmara expõe uma ferida que caminha aberta na coligação de esquerda do Rio Grande do Norte. A disputa pela cadeira do Senado transformou-se em um ringue particular e complexo. O bloco governista hoje convive com as pré-candidaturas sobrepostas de Samanda Alves (apadrinhada pela governadora Fátima), do ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates (PT) e de Rafael Motta.
Aliados de Cadu Xavier e de Fátima Bezerra avaliaram nos bastidores que o deslize de Rafael Motta foi um erro tático grave, que enfraquece a costura política com prefeitos do interior e dá munição para a oposição liderada pelo PL explorar as divisões internas do governismo.
A decisão é definitiva no âmbito do PT municipal, mas o impacto político da declaração de Rafael Motta ainda pode gerar desdobramentos e posicionamentos em outras instâncias partidárias e governamentais. A Prefeitura de João Câmara, por sua vez, não se pronunciou oficialmente sobre as falas de seu aliado.





