Apenas um em cada três trabalhadores brasileiros utiliza os 30 dias de férias remuneradas previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O dado faz parte de um levantamento divulgado pela plataforma global de recursos humanos Deel, que analisou mais de 1,5 milhão de registros de férias em 150 países, incluindo 993 solicitações realizadas no Brasil.
Segundo o estudo, os profissionais no país aproveitam, em média, apenas 22 dias de descanso por ano, o equivalente a 72% do período a que têm direito.
Entre os principais fatores apontados para a redução do período de descanso estão a possibilidade de fracionar as férias, autorizada após a Reforma Trabalhista, a venda de até um terço dos dias de descanso e questões financeiras ou ligadas à rotina profissional.
Especialistas alertam que, embora a legislação permita essas modalidades, é necessário observar as regras previstas em lei e considerar os impactos que a redução das férias pode causar à saúde física e mental dos trabalhadores.
Especialistas destacam direitos e deveres previstos na legislação
A diretora da consultoria DPi, Anna Karenina Dantas, explica que as férias têm como principal objetivo proporcionar a recuperação física e emocional após um período contínuo de trabalho. Segundo ela, o fracionamento das férias e a conversão de parte do período em abono pecuniário são permitidos, desde que ocorram por acordo entre empregado e empregador.
A especialista também lembra que as empresas precisam cumprir o período concessivo e efetuar o pagamento da remuneração das férias, acrescida do adicional constitucional de um terço, antes do início do descanso. O descumprimento dessas obrigações pode resultar em passivos trabalhistas.
De acordo com a diretora, o direito às férias não deve ser tratado apenas como um benefício financeiro, mas como um mecanismo de proteção à saúde e ao bem-estar do trabalhador.
Redução das férias pode afetar saúde mental
Para a consultora de Gestão de Pessoas da Rui Cadete, Ana Cláudia Medeiros, abrir mão de parte das férias pode trazer consequências que vão além do cansaço físico. Segundo ela, a ausência de períodos adequados de descanso favorece o acúmulo de estresse, reduz a produtividade e aumenta o risco de desenvolvimento da síndrome de burnout.
A especialista afirma que ainda existe a percepção de que trabalhar sem interrupções demonstra maior comprometimento profissional. No entanto, ela ressalta que o excesso de trabalho tende a provocar queda na concentração, desgaste emocional e piora no desempenho das atividades.
Ana Cláudia Medeiros também destaca que as empresas têm papel fundamental na construção de uma cultura que respeite o período de férias. Segundo ela, ambientes que incentivam a desconexão durante o descanso contribuem para que os profissionais retornem mais motivados, produtivos e preparados para enfrentar os desafios da rotina de trabalho.
Por Bnews Natal





