Mistura de alto risco se espalha pelo Rio e preocupa autoridades

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O uso de drogas sintéticas para potencializar experiências sexuais tem crescido entre cariocas e turistas no Rio de Janeiro, impulsionado por festas, redes sociais e uma cultura que normaliza o risco em busca de prazer extremo.

Conhecidas no submundo como parte do chemsex — prática sexual sob efeito de substâncias psicoativas — essas drogas podem provocar efeitos graves e até levar à morte, segundo especialistas e autoridades de saúde.

Um dos casos que chamou atenção ocorreu em setembro do ano passado, quando o turista russo Denis Kopanev, de 33 anos, foi encontrado morto em uma trilha do Horto, na Zona Sul, após quase quatro meses desaparecido.

Com ele, a polícia encontrou GHB (gama-hidroxibutirato), substância química usada na limpeza de aeronaves e que passou a circular ilegalmente como droga recreativa. A investigação apontou que ele também havia consumido metanfetamina e cocaína.

O GHB é conhecido por provocar relaxamento e desinibição, mas, mesmo em pequenas doses, pode causar depressão respiratória, perda de consciência e morte — riscos que aumentam quando combinado a outras drogas ou ao álcool.

Drogas “da moda” e coquetéis perigosos

Além do GHB, outras substâncias têm ganhado espaço em festas, boates e eventos ao ar livre. A chamada “cocaína rosa”, ou tusi, é um dos exemplos mais populares. Apesar do nome, não se trata de cocaína pura, mas de uma mistura variável que pode conter MDMA, cetamina, metanfetamina e outros compostos sintéticos.

Vendida a preços elevados — chegando a ultrapassar R$ 1 mil por grama — a droga é associada a ambientes de alto poder aquisitivo, como festas privadas e réveillons badalados. Especialistas alertam que a composição instável do tusi torna seus efeitos imprevisíveis, aumentando o risco de infarto, convulsões e overdose.

Segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), os estimulantes do tipo anfetamina, como a metanfetamina, lideram o crescimento do mercado global de drogas sintéticas. No Rio, a presença de facções estruturadas como empresas facilita a distribuição dessas substâncias.

Atendimentos em alta e impacto na saúde pública

O avanço do consumo já se reflete na rede pública de saúde. Dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio mostram crescimento expressivo no número de atendimentos relacionados ao uso de álcool e drogas. Apenas nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), os atendimentos aumentaram mais de 50% entre 2023 e 2024. Em 2025, o número continuou em alta.

Na rede de urgência e emergência, milhares de pacientes relataram consumo recente de substâncias psicoativas ao buscar atendimento, cenário que preocupa autoridades sanitárias.

Especialistas destacam que fatores culturais e a rápida circulação de tendências entre grandes cidades contribuem para a disseminação do uso. “O que aparece hoje em uma balada de São Paulo, amanhã já está no Rio”, explica o psiquiatra e professor da Uerj, Paulo Roberto Telles Pires Dias.

Substâncias cada vez mais potentes

O desafio se agrava com o surgimento constante de novas drogas. Segundo toxicologistas, há uma explosão de combinações químicas, incluindo canabinoides sintéticos, catinonas conhecidas como “sais de banho”, opioides sintéticos e benzodiazepínicos de design.

Entre as substâncias mais preocupantes estão os nitazenos, opioides sintéticos que podem ser até 20 vezes mais potentes que o fentanil — droga já considerada extremamente letal. Pesquisas indicam que essas substâncias têm sido encontradas em comprimidos vendidos como MDMA, sem que o usuário saiba o real conteúdo.

Diante desse cenário, autoridades brasileiras lançaram normas e cartilhas de prevenção, além de investirem em estudos para mapear o avanço das drogas sintéticas no país.

Enquanto isso, especialistas reforçam: o discurso de glamour em torno dessas substâncias esconde riscos reais e imediatos. Na chamada “alquimia do prazer”, a mistura pode ser fatal.

Por BNews Natal

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