A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (12) o uso do lenacapavir, primeiro medicamento injetável de longa duração capaz de prevenir a infecção pelo HIV com eficácia próxima de 100%. Desenvolvido pelo laboratório Gilead Sciences, o fármaco representa um avanço histórico nas estratégias de prevenção e tratamento do vírus no Brasil.
O medicamento, que será comercializado com o nome Sunlenca, já havia recebido aval das agências regulatórias dos Estados Unidos e da União Europeia e passou a ser recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2025 como parte da prevenção combinada contra o HIV.
Duas indicações aprovadas pela Anvisa
O sinal verde da Anvisa contempla duas indicações. A primeira é o uso como profilaxia pré-exposição (PrEP), destinada a pessoas a partir de 12 anos, com peso superior a 35 quilos e teste negativo para HIV. Nesse caso, o lenacapavir atua como ferramenta de prevenção, substituindo a necessidade do uso diário de comprimidos.
A segunda indicação é voltada ao tratamento de pessoas que vivem com HIV e apresentam resistência a outras classes de antirretrovirais, oferecendo uma nova alternativa terapêutica para casos considerados complexos.
Segundo a Gilead, os pedidos de aprovação foram analisados em regime prioritário devido ao potencial impacto do medicamento na saúde pública.
Menos aplicações e maior adesão ao tratamento
O grande diferencial do lenacapavir está na sua forma de administração: apenas duas aplicações por ano são suficientes para garantir proteção quase total contra o vírus. Atualmente, a PrEP disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) exige o uso diário de comprimidos, o que dificulta a adesão de parte da população.
Estudos clínicos demonstraram resultados expressivos. No estudo Purpose-1, realizado com mais de 5 mil mulheres na África, nenhuma das participantes que recebeu a injeção foi infectada durante o período de acompanhamento. Já o estudo Purpose-2, que incluiu participantes de diferentes gêneros e países — entre eles o Brasil —, apontou eficácia de até 96% quando comparada à população geral.
Medicamento não é vacina, explica OMS
Apesar de ser aplicado por injeção, o lenacapavir não é uma vacina. Diferentemente das vacinas, que estimulam o sistema imunológico a produzir defesas permanentes, o medicamento atua diretamente bloqueando a replicação do vírus no organismo. Por isso, a proteção depende da manutenção da droga no corpo — e é interrompida caso o uso seja suspenso.
Atualmente, não existe vacina aprovada contra o HIV em nenhum país.
Preço e acesso ainda são desafios
Apesar do avanço científico, o custo do lenacapavir é apontado como um dos principais obstáculos à sua ampla implementação. Nos Estados Unidos, o tratamento custa mais de US$ 28 mil por ano. No Brasil, o valor ainda será definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
A eventual oferta gratuita pelo SUS dependerá da análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e de decisão do Ministério da Saúde. A Gilead informou que ainda não há previsão de lançamento comercial no país.
Mesmo assim, especialistas avaliam que a aprovação do lenacapavir marca um novo capítulo no enfrentamento ao HIV, ampliando as possibilidades de prevenção, reduzindo barreiras de adesão e oferecendo esperança a pacientes com opções terapêuticas limitadas.
Por BNews Natal












