O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou neste domingo (19) que o país não voltará a realizar eleições, alegando que a medida tem como objetivo impedir que grupos de oposição assumam o poder. A declaração foi feita durante um evento em Manágua em comemoração ao 47º aniversário da Revolução Sandinista.
No discurso, Ortega disse que opositores seguem tentando retornar ao governo e afirmou que muitos deles vivem atualmente no exílio.
“Eles gostariam de vencer as eleições para lucrar com as escolas. Mas que esqueçam isso: aqui não haverá mais eleições, para que não tentem, por esse caminho, tomar o governo e o poder“, declarou.
Ortega anuncia novas medidas contra opositores
Durante o pronunciamento, o presidente também informou que a Assembleia Nacional, controlada por aliados do governo, deverá analisar novas leis voltadas ao combate de pessoas classificadas pelo Executivo como “golpistas” e “traidores da pátria”.
Ortega afirmou que pretende fortalecer a legislação para impedir a atuação desses grupos e voltou a acusar os Estados Unidos de financiar adversários políticos.
“Por mais dinheiro que os ianques (EUA) lhes deem, eles não conseguirão“, afirmou.
Reforma constitucional alterou calendário eleitoral
A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em novembro deste ano. No entanto, reformas constitucionais aprovadas e que entraram em vigor no início de 2025 ampliaram o mandato presidencial de cinco para seis anos.
Com a mudança, o próximo pleito presidencial está previsto, em tese, para novembro de 2027.
As alterações constitucionais foram alvo de críticas de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização dos Estados Americanos (OEA) e setores da oposição nicaraguense.
Organização denuncia fim da oposição política
Após as declarações de Ortega, a organização Nicaragua Nunca Más, sediada na Costa Rica, afirmou que o governo eliminou espaços de atuação da sociedade civil e restringiu a participação política no país.
Segundo o coordenador da entidade, Salvador Marenco, o cenário atual é marcado pelo fechamento de milhares de organizações civis, pela cassação de partidos políticos e pelo encerramento de veículos de comunicação.
Para a organização, as declarações do presidente reforçam a ausência de garantias democráticas e colocam em dúvida a realização de eleições competitivas no futuro.
Durante o evento, Daniel Ortega também direcionou críticas aos Estados Unidos, acusando Washington de interferir em assuntos internos de países latino-americanos.
O presidente citou a Venezuela ao comentar ações do governo norte-americano envolvendo o país vizinho e afirmou que os EUA buscam ampliar sua influência sobre outras nações da região.
Por 98 FM Natal




