A inteligência artificial (IA) tem se tornado parte inseparável da nossa rotina, simplificando inúmeras tarefas. De sugestões de filmes em plataformas de streaming a assistentes de voz que respondem a um simples comando, a tecnologia que parecia ficção científica hoje otimiza nosso dia a dia.
Com tamanha integração, a IA começou a invadir campos mais delicados da vida humana, como a área da saúde, e, mais recentemente, trends nas redes sociais têm popularizado o uso da inteligência artificial como uma forma de terapia.
Essa prática, no entanto, é vista com grande preocupação por especialistas. O psicólogo Fredy Figner alerta para os riscos de utilizar essas ferramentas como substitutas do tratamento profissional, pontuando que isso pode levar a diagnósticos errados e à minimização de sintomas graves.
“Sem a presença [do] psicoterapeuta, há perigos de reforçar interpretações equivocadas ou adiar a busca por tratamento adequado”, afirma.
Figner ressalta que, embora a tecnologia possa orientar, ela carece da capacidade de compreender de forma profunda as singularidades emocionais de cada pessoa.
A falta de empatia e a superficialidade do tratamento
A principal diferença entre um terapeuta e a IA, segundo o especialista, é em relação a empatia e na complexidade da compreensão humana. Figner explica que um terapeuta é capaz de interpretar expressões, entender o silêncio e utilizar a intuição e a história de vida do paciente para construir um tratamento eficaz.
“O maior risco é acreditar que a IA faz ‘terapia’, quando na verdade ela trabalha com dados e padrões de linguagem”, ressalta.
Além disso, a praticidade da IA pode criar uma falsa sensação de que já é suficiente para lidar com questões emocionais e subjetivas, o que, para o psicólogo, pode gerar uma espécie de “autoatendimento” superficial. Essa dependência tecnológica pode fazer com que as pessoas evitem procurar ajuda profissional quando realmente precisam, levando a uma superficialização do tratamento e a um risco real para quem está em sofrimento psíquico. Pessoas que não têm consciência de seus próprios transtornos podem alimentar os chatbots com informações que o algoritmo, por mais avançado que seja, não consegue interpretar corretamente, gerando percepções equivocadas e, consequentemente, riscos à saúde mental.
IA não substitui o profissional
Embora a IA não seja indicada como forma de terapia, ela pode se tornar uma aliada valiosa quando utilizada com o acompanhamento de um profissional. Figner comenta que, dessa forma, o uso é mais saudável e assertivo.
“Quando usada como apoio ao trabalho do psicólogo, a IA pode ajudar no registro de informações, na organização de pensamentos, no reforço de técnicas aprendidas em terapia ou até como uma ferramenta de psicoeducação”, afirma.
O especialista reforça que a IA pode ser um recurso útil para potencializar o processo terapêutico, mas sempre sob a orientação de um profissional humano, que sabe como avaliar e interpretar as necessidades de cada paciente. “Em resumo: a IA pode ser uma parceira, mas nunca deve ocupar o lugar do psicólogo”, conclui. Figner sugere ainda o uso de outras ferramentas tecnológicas para a promoção da saúde mental, como aplicativos de meditação, plataformas de autocuidado, comunidades de apoio e lembretes de rotina saudável, que contribuem para a organização emocional e o bem-estar.
Por Bacci Notícias












