A endometriose, doença ginecológica que atinge cerca de oito milhões de mulheres no Brasil, voltou ao centro do alerta após aumento de aproximadamente 75% nos atendimentos registrados nos últimos anos. Segundo especialistas, sintomas como cólicas intensas, dor pélvica frequente e desconforto nas relações sexuais ainda são ignorados, o que pode atrasar o diagnóstico por até sete anos.
Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram crescimento expressivo da procura por assistência. Em 2022, foram contabilizados 82.693 atendimentos na atenção primária. Em 2023, o número saltou para 115.765 e, em 2024, chegou a 145.744 registros.
Mesmo com a alta demanda, o reconhecimento da doença segue tardio. O Ministério da Saúde informa que muitas pacientes levam entre seis e sete anos para receber a confirmação do quadro.
Dor ignorada
De acordo com o ginecologista Gustavo Mafaldo, vice-presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte (SOGORN), a normalização da dor menstrual é um dos principais obstáculos para o diagnóstico precoce.
“Muitas mulheres crescem ouvindo que sentir desconforto é normal, especialmente durante a menstruação ou nas relações sexuais. Isso faz com que elas demorem a procurar ajuda médica, prolongando o sofrimento e dificultando o tratamento”, explica.
A endometriose acontece quando células semelhantes ao endométrio, tecido que reveste o útero, se desenvolvem fora da cavidade uterina e reagem às alterações hormonais do ciclo menstrual.
Doença pode afetar fertilidade
Esse processo pode causar inflamações, dores intensas e aderências entre órgãos. Sem tratamento adequado, a doença pode evoluir e provocar dificuldades para engravidar, além de alterações intestinais e urinárias.
Os impactos também podem atingir a saúde mental. Casos prolongados frequentemente estão associados à ansiedade e à perda de qualidade de vida, especialmente quando a paciente convive com dores recorrentes.
Para Gustavo Mafaldo, identificar os sinais de alerta é essencial para reduzir o tempo até o diagnóstico e ampliar as chances de tratamento eficaz.
“Cólicas menstruais incapacitantes, desconforto pélvico fora do período menstrual, dor durante a relação sexual e alterações intestinais no período da menstruação não devem ser ignorados, todos esses sintomas merecem investigação”, finaliza.
A recomendação é procurar avaliação médica ao perceber sintomas persistentes ou intensos, especialmente quando interferem na rotina diária. Quanto mais cedo ocorre a identificação da endometriose, maiores são as chances de controle da doença e melhora na qualidade de vida das pacientes.
Por BNews Natal




