A greve dos caminhoneiros no Rio Grande do Norte foi suspensa temporariamente nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026. A decisão foi tomada pela liderança do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Cargas do Estado do Rio Grande do Norte (Sintrocern), presidido por Edson Negrão, que aguarda uma nova proposta do setor patronal. A paralisação, que começou na última segunda-feira, 25 de maio, representa a luta por dignidade e melhores condições de trabalho para a categoria, impactando diretamente a vida dos profissionais e a economia do Estado.
Segundo o dirigente sindical, a paralisação ficará suspensa pelo menos até o próximo domingo, 31 de maio. Durante este período, os representantes das empresas deverão analisar as reivindicações dos trabalhadores e apresentar uma resposta. Em vídeo divulgado nesta quarta-feira, Edson Negrão enfatizou que a suspensão não significa o fim do movimento. “A greve dos caminhoneiros não acabou, apenas fizemos essa suspensão, pelo menos até domingo”, declarou.
De acordo com Negrão, o sindicato patronal se comprometeu a discutir as propostas junto às empresas do setor e apresentar uma posição até a manhã desta sexta-feira, 29 de maio. Caso a resposta não atenda às expectativas da categoria, uma nova paralisação poderá ser iniciada já na próxima segunda-feira, 1º de junho. “Sexta-feira à tarde, se eles não tiverem nenhum posicionamento, trazendo o mínimo de dignidade que foi exigido pelo sindicato e pela classe trabalhadora, daremos início à nossa atividade de greve e paralisação a partir de segunda-feira”, afirmou Negrão.
A mobilização teve início na BR-101, em Parnamirim, com um bloqueio parcial da rodovia no sentido Parnamirim–Natal, o que causou impactos no trânsito da região. Os caminhoneiros utilizaram simbolicamente um caixão durante o protesto, em um gesto que buscava pressionar o setor empresarial por avanços nas negociações e destacar a gravidade da situação para suas vidas.
As principais reivindicações da categoria incluem um reajuste salarial de pelo menos 7%, além de melhorias significativas em benefícios como vale-alimentação e plano de saúde. A pauta também abrange o auxílio-medicamento e a inclusão de medidas de apoio para trabalhadores LGBTs e profissionais com filhos atípicos, demonstrando a busca por condições de trabalho mais justas e humanas.
Inicialmente, a reivindicação previa um reajuste de 16%. Contudo, a categoria aceitou reduzir o percentual para 7% durante audiência de conciliação realizada na semana passada no Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN). A proposta patronal apresentada até o momento é de 4,11%, considerada insuficiente pela classe trabalhadora.
“Há uma intransigência e um desrespeito com a nossa categoria. Já aceitamos receber um reajuste de 7%, conforme nos foi sugerido pelo TRT, mas estamos pedindo também melhorias no plano de saúde, para que a gente consiga ser atendido, pelo menos, em algumas cidades do estado, além de melhorias no vale alimentação de forma linear ao reajuste salarial”, detalhou Negrão, evidenciando a urgência das demandas.
Representantes das empresas alegaram a necessidade de aproximadamente 20 dias para avaliar os impactos financeiros da proposta e consultar as transportadoras. A ausência de uma definição clara e rápida levou a categoria a iniciar a paralisação. Após o ato na BR-101, os caminhoneiros realizaram uma carreata até a sede do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado do Rio Grande do Norte (Setcern), em Natal, para intensificar a pressão.
Durante a greve, o TRT-RN determinou a manutenção de, no mínimo, 40% das atividades da categoria, assegurando a circulação de cargas vivas, medicamentos, insumos hospitalares e oxigênio, por serem considerados serviços essenciais para a sociedade.





