Em um embate político que esquenta a pré-campanha no Rio Grande do Norte, o ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias, reagiu com veemência às acusações de Cadu Xavier, secretário estadual, nesta terça-feira. Dias desferiu duras críticas contra Xavier, acusando-o de falsidade e de negligência na gestão das contas públicas, alegando que o secretário precisa “aprender a falar a verdade” antes de questionar a credibilidade alheia. O confronto marca um ponto de virada na disputa eleitoral, trazendo à tona a crise dos consignados e a saúde financeira do estado, temas cruciais para a dignidade dos servidores e a estabilidade econômica potiguar.
“Cadu é o rei da mentira, das contradições e do imposto!”, disparou Álvaro Dias, rebatendo as declarações de Xavier que o haviam acusado de mentir sobre a situação da saúde estadual.
O ex-prefeito questionou abertamente a credibilidade do secretário, relembrando uma série de promessas não cumpridas desde que Cadu Xavier assumiu a área econômica do Estado em 2023.
“Qual Cadu me chamou de mentiroso? O que disse que não atrasaria os consignados quando assumiu? O que prometeu usar o dinheiro da venda antecipada da folha dos servidores ao Banco do Brasil para resolver o problema e, ainda assim, continuou atrasando os pagamentos?”, indagou Álvaro Dias, evidenciando as inconsistências.
Dias ampliou o ataque à gestão fiscal do governo estadual, apontando os atrasos em pagamentos que afetam diretamente a vida dos cidadãos.
“Qual Cadu me chamou de mentiroso? O que disse que pagaria salários em dia, mas deixou aposentados e pensionistas sem o 13º salário? O que fala em equilíbrio das contas, mas deixa médicos e fornecedores com meses de atraso? Esse senhor que só pensa em aumentar impostos precisa aprender primeiro a falar a verdade antes de apontar o dedo para alguém”, completou Dias, ressaltando o impacto real dessas políticas.
A defesa de Álvaro Dias se baseia em uma linha do tempo de declarações e fatos envolvendo a gestão dos consignados no Estado, um dos pontos mais sensíveis para a administração pública e o funcionalismo.
Em junho de 2023, Cadu Xavier havia afirmado publicamente: “Consignado para mim é folha… pagou folha, pagou consignado.” A promessa estabelecia um compromisso claro de que o repasse aos bancos seria feito em sincronia com o pagamento dos servidores. No entanto, os meses seguintes trouxeram um cenário de instabilidade e descumprimento.
Em julho de 2023, o crédito consignado foi bloqueado devido a atrasos nos repasses, com uma promessa de normalização para agosto.
Já em setembro de 2023, em uma audiência na Assembleia Legislativa, o próprio secretário admitiu os atrasos e mudou seu discurso, afirmando que seu novo compromisso era “não acumular meses”.
Em outubro de 2023, uma nova suspensão do consignado ocorreu, com o reconhecimento público de “um mês de atraso” e uma previsão de instabilidade financeira até o fim do ano.
Esse padrão de atraso, bloqueio, promessa de regularização e nova suspensão, registrado ao longo do segundo semestre de 2023, expôs uma inconsistência flagrante entre as declarações iniciais do secretário e a execução prática da política financeira, gerando incerteza e preocupação entre os servidores.
Clima de confronto
A troca de acusações acentua o endurecimento do debate político no Rio Grande do Norte, marcando o início de um período de pré-campanha mais agressivo. O embate entre gestão fiscal e narrativa eleitoral deve se intensificar nos próximos meses, com foco em temas delicados como salários, saúde pública e o equilíbrio das contas estaduais.
Nos bastidores, a avaliação é unânime: o confronto direto entre os dois pré-candidatos sinaliza uma disputa focada na credibilidade, na capacidade de gestão e na confiança do eleitorado.
Álvaro Dias concluiu o ataque com um balanço comparativo de suas gestões e a do secretário: “Saí da prefeitura do Natal com alto índice de aprovação, fiz o meu sucessor, entreguei várias obras e deixei dezenas de outras em andamento. Já Cadu foi o secretário que aumentou o ICMS, atrasou os consignados, negativou os servidores, deixou médicos sem salários, hospitais sem comida para servir aos profissionais e acompanhantes e saiu do Governo deixando um rombo nas contas públicas maior do que o que iniciou a gestão”.
Sobre as finanças estaduais, Álvaro Dias foi enfático ao apresentar dados preocupantes: “A dívida do Estado saltou de R$ 1,75 bilhão em 2018 para R$ 6,3 bilhões. Os precatórios aumentaram de R$ 900 milhões para R$ 5 bilhões. O orçamento de 2026 foi aprovado com um déficit estimado de R$ 1,5 bilhão. O Rio Grande do Norte é o estado que mais compromete receita com gasto de pessoal no Brasil — mais de 64%. Quem cuidou do cofre durante tudo isso? Cadu Xavier. Ele que era o secretário da Fazenda. Ele que criou a ‘supersecretaria’. E agora quer o cargo de governador para fazer o quê? Repetir os mesmos erros?”, questionou o ex-prefeito.
Em sua fala final, Álvaro Dias reiterou: “Cadu Xavier foi secretário para cobrar imposto — e cobrou muito. Não construiu uma rua, não urbanizou uma comunidade, não entregou uma praça. Até empréstimo ele fez para tapar buraco. O Rio Grande do Norte precisa de quem saiba construir, não apenas de quem saiba cobrar. Nós fizemos. Está tudo documentado. Está tudo de pé.”









