Engolidas pelas águas: conheça as “cidades fantasma” do Rio Grande do Norte

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Imagine caminhar por um lugar onde, décadas atrás, existiam casas, ruas, igrejas e uma comunidade inteira. No Rio Grande do Norte, algumas paisagens guardam justamente histórias assim. Cidades e vilas que, por diferentes motivos, foram abandonadas, destruídas ou até engolidas pelas águas deixaram para trás ruínas e memórias que ainda despertam curiosidade.

Embora o estado não tenha uma relação oficial de municípios conhecidos como “cidades fantasma”, a expressão pode ajudar a descrever antigas localidades que perderam sua população ou tiveram o território original completamente transformado.

A cidade do RN que foi engolida pelas águas

A história mais impressionante é, sem dúvida, a de São Rafael, na região do Vale do Açu. A antiga cidade precisou ser abandonada na década de 1980 para dar lugar ao reservatório formado pela Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, inaugurada em 1983.

A construção da barragem transformou completamente o território. A antiga sede de São Rafael estava localizada na área que seria inundada, e uma nova cidade precisou ser planejada para receber os moradores. A população deixou para trás casas, ruas e espaços que faziam parte da história do município, enquanto as águas avançavam sobre o antigo núcleo urbano.

O processo, no entanto, foi muito mais do que uma simples mudança de endereço. Para antigos moradores, significou deixar um lugar carregado de lembranças. Pesquisas sobre a antiga São Rafael registram que algumas famílias chegaram a retornar às antigas casas antes que o avanço das águas tornasse impossível permanecer no local. Aos poucos, a cidade ficou submersa.

Durante anos, a torre da Igreja de Nossa Senhora da Conceição permaneceu visível acima da água e se tornou o principal símbolo da antiga cidade. A estrutura resistiu por 27 anos depois da inundação, mas acabou ruindo em dezembro de 2010.

Quando a cidade volta a aparecer

Se São Rafael desapareceu sob as águas, parte de sua história pode voltar à superfície. Em períodos de estiagem, quando o volume do reservatório diminui, vestígios da antiga cidade reaparecem e revelam fragmentos da paisagem que existia antes da construção da barragem.

Ruínas, fundações e outros elementos do antigo espaço urbano podem ficar novamente visíveis, transformando a área em uma espécie de janela para o passado. A paisagem muda conforme o nível da água e ajuda a explicar por que a velha São Rafael é frequentemente lembrada como uma cidade que ficou escondida sob o maior reservatório de água doce superficial do Rio Grande do Norte.

A Barragem Armando Ribeiro Gonçalves possui capacidade para armazenar cerca de 2,4 bilhões de metros cúbicos de água e redefiniu profundamente a paisagem da região. Para sua construção, milhares de hectares foram desapropriados, incluindo a área ocupada pela antiga cidade de São Rafael.

Assim, enquanto a nova São Rafael segue existindo e crescendo em outra área, sua antiga sede permanece como uma cidade perdida sob o reservatório. Para muitos moradores, as ruínas são parte de uma memória que sobreviveu mesmo depois do desaparecimento físico da antiga cidade.

A vila destruída por uma enchente

Outra história que ajuda a compor esse mapa de lugares desaparecidos do Rio Grande do Norte está em Pedro Velho, na região Agreste. Ali, as ruínas da Igreja de Santa Rita de Cássia guardam a memória da antiga Vila de Cuitezeiras.

A localidade foi fundada em 1861, às margens do Rio Curimataú, e se desenvolveu a partir da construção da igreja. Durante anos, a vila viveu um período de prosperidade e formou uma comunidade no entorno do templo.

Porém, tudo mudou em 1901. Uma grande enchente do Rio Curimataú atingiu a região e devastou a Vila de Cuitezeiras. O desastre provocou o abandono do local e transformou profundamente a paisagem onde antes existia a comunidade.

A igreja foi a grande sobrevivente da tragédia. Segundo registros sobre a história do local, o templo resistiu à força da enchente e serviu de abrigo para moradores durante o desastre. Com o desaparecimento da vila, a construção se tornou o principal vestígio de um lugar que deixou de existir como antes.

Ruínas que contam uma história

As ruínas da Igreja de Santa Rita de Cássia continuam lembrando a existência da antiga Cuitezeiras. A construção isolada em meio à paisagem cria uma imagem que ajuda a explicar por que locais abandonados despertam tanta curiosidade.

Não se trata de uma “cidade fantasma” no sentido tradicional, com prédios vazios e ruas ainda preservadas, mas de uma comunidade que teve sua trajetória interrompida por uma catástrofe natural.

A antiga São Rafael e a Vila de Cuitezeiras tiveram destinos diferentes, mas compartilham algo em comum. Ambas mostram como uma cidade ou comunidade pode desaparecer da paisagem sem desaparecer completamente da memória. Em um caso, a água cobriu uma cidade inteira. No outro, uma enchente destruiu uma vila e deixou uma igreja como testemunha de seu passado.

São histórias que também revelam as transformações provocadas pela natureza e pela ação humana. Barragens podem alterar cursos de vida e obrigar comunidades inteiras a recomeçar, enquanto enchentes podem destruir, em poucas horas, construções e espaços que levaram décadas para serem formados.

Por BNews Natal

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Sobre Portal Seridó 360

A revista eletrônica Seridó 360 foi criado no inicio do ano de 2018, pelo estudante de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, das Faculdades Integradas de Patos/PB, Iasllan Araújo, com o intuito de levar às notícias do Seridó Potiguar a uma única revista – esta.

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