O vice-governador Walter Alves (MDB) afirmou que foi “escanteado” pela governadora Fátima Bezerra (PT) e que, por isso, não teve participação efetiva no governo estadual nos últimos quatro anos. Hoje candidato a deputado estadual, ele afirmou que seu rompimento político com o grupo governista se deu pela falta de espaço do MDB na gestão e ao risco de assumir, por apenas alguns meses, um Estado que, segundo sua avaliação, atravessa uma grave crise financeira.
O rompimento político entre Walter Alves e Fátima Bezerra aconteceu em janeiro, quando o vice-governador anunciou publicamente que não assumiria o Governo do Estado caso a governadora renunciasse ao cargo para disputar o Senado. A manobra acabou, na prática, inviabilizando as pretensões eleitorais da governadora, pois sua renúncia poderia levar o Estado a uma eleição indireta na Assembleia Legislativa. Sem condições políticas de eleger um sucessor para um mandato tampão, ela desistiu de deixar o cargo antes do fim do mandato.
Walter disse ter ficado decepcionado com Fátima porque poderia ser responsabilizado por dificuldades fiscais acumuladas ao longo de uma gestão da qual, apesar do cargo que ocupa, afirma não ter participado. “Eu fiquei um pouco decepcionado. Por quê? Porque eu seria culpado por algo que eu não tive culpa”, afirmou, citando as dificuldades que teria encontrado se tivesse assumido o governo entre o fim de março e o início de abril.
Ao explicar o distanciamento, acrescentou que o espaço destinado ao MDB no governo ficou limitado à Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), ocupada por Paulo Varella. “O que é que coube ao MDB, quando nós ganhamos a eleição? Coube uma Secretaria de Recursos Hídricos”, disse.




