PF coloca Ciro Nogueira como uma espécie de sócio de Vorcaro

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A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou operação de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) nesta quinta-feira (7), detalha suspeitas da Polícia Federal (PF) sobre um suposto esquema de pagamentos e vantagens financeiras envolvendo o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo a investigação, Ciro teria se tornado uma espécie de aliado estratégico de Vorcaro em negócios e articulações de interesse do banco. A operação integra a nova fase da Compliance Zero, que apura fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e corrupção relacionadas ao Banco Master.

De acordo com a representação da PF citada por Mendonça, a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., apontada como principal estrutura patrimonial ligada ao núcleo de Ciro Nogueira e administrada por seu irmão, Raimundo Nogueira, adquiriu 30% de participação na empresa Green Investimentos S/A. A companhia seria controlada por Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, preso nesta quinta.

O que atraiu a atenção dos investigadores foi o valor da operação. Segundo a PF, a empresa ligada a Ciro pagou R$ 1 milhão por uma participação societária que teria valor de mercado estimado em R$ 13 milhões.

A decisão judicial afirma ainda que mensagens obtidas pelos investigadores indicam preocupação dos envolvidos em estruturar a operação de forma a permitir pagamento de dividendos sem atrair fiscalização.

– Os investigadores verificaram, ainda, a existência de comando específico de Daniel Vorcaro e Felipe para que a participação societária envolvida no negócio ensejasse a percepção de dividendos “sem que a operação ingressasse no radar de eventuais mecanismos de fiscalização” – aponta trecho da decisão.

A investigação também descreve um suposto fluxo recorrente de pagamentos. Segundo a PF, Felipe Vorcaro, então presidente da Green Investimentos, teria organizado repasses financeiros à empresa de Ciro por meio de outra companhia, a BRGD S.A. Em mensagens apreendidas, o arranjo seria tratado internamente como “parceria BRGD/CNLF”.

Os investigadores apontam que o esquema resultaria em pagamentos mensais inicialmente de R$ 300 mil ao senador, posteriormente elevados para R$ 500 mil. Outro ponto central da investigação envolve a chamada “Emenda Master”. A PF afirma que, quatro meses após a operação societária, Ciro Nogueira apresentou emenda à PEC n° 65/2023, propondo elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.

Segundo investigadores, a medida beneficiaria diretamente o modelo de negócios do Banco Master, que operava com forte captação via CDBs cobertos pelo FGC. De acordo com a Polícia Federal, o texto da emenda teria sido elaborado pela assessoria do Banco Master e entregue em envelope direcionado ao senador.

A defesa de Ciro Nogueira, porém, negou irregularidades. Em nota, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que “repudia qualquer ilação de ilicitude” sobre a conduta do senador e reiterou que o parlamentar está à disposição para colaborar com a Justiça.

Por Pleno News

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