O senador Sergio Moro decidiu, nesta quarta-feira 18, deixar o União Brasil e se filiar ao PL para disputar o Governo do Paraná com o apoio do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A mudança, segundo o jornal Folha de S. Paulo, ocorre após a confirmação de que a legenda irá respaldar sua candidatura, em um cenário no qual Moro aparece na liderança das pesquisas de intenção de voto no estado.
Antes da decisão, Moro se reuniu com a cúpula da federação União Brasil-PP para definir por qual partido concorreria. Embora houvesse tendência de apoio do União Brasil, o senador enfrentava resistências internas, especialmente no PP do Paraná, o que acabou pesando na escolha pelo PL.
Nos bastidores, a articulação prevê que a vaga de vice na chapa de Moro seja oferecida à federação União Brasil-PP. Já o PL pretende lançar o deputado federal Filipe Barros ao Senado, enquanto a segunda vaga deve ficar com Deltan Dallagnol (Novo). Com essa configuração, a jornalista Cristina Graeml, que era pré-candidata ao Senado pelo União Brasil com apoio de Moro, perde espaço — uma alternativa em discussão é sua candidatura a deputada federal pelo próprio PL.
A filiação marca uma reaproximação política entre Moro e o grupo bolsonarista, apesar de críticas feitas pelo senador no passado. Em 2021, por exemplo, ele declarou “chega de rachadinha”, em referência a acusações envolvendo Flávio.
Ainda nesta quarta-feira, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reuniu-se com Moro e oficializou o apoio à candidatura, em movimento que rompe com o atual governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD). O dirigente afirmou que a prioridade do partido é garantir um palanque forte no estado para Flávio Bolsonaro, diante da possibilidade de Ratinho disputar a Presidência da República.
“Nós vamos ter que unir todo mundo lá para ele ganhar a eleição no primeiro turno. Senão nós estamos mortos por causa do Ratinho”, disse Valdemar. Ele também reconheceu a afinidade com o governador, mas destacou a necessidade eleitoral do partido. “Ele mora no meu coração, mas vai ser candidato a presidente. Vamos fazer zero votos no Paraná? E Moro está lá explodindo”, afirmou.
Na semana passada, Ratinho Jr. chegou a se reunir com o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, na tentativa de evitar o apoio do PL a Moro. A negociação, porém, esbarrou na condição imposta pelo partido: que o governador desistisse da disputa presidencial para apoiar Flávio — hipótese que não se concretizou. Pelo contrário, o PSD avançou na decisão de lançar Ratinho ao Planalto, o que acelerou o acordo entre Moro e o PL.
Até então, havia um entendimento para que o PL apoiasse um candidato indicado por Ratinho no Paraná, em troca da candidatura de Filipe Barros ao Senado. Com a mudança de cenário, essa aliança foi desfeita.
No campo governista estadual, o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), trabalha para ser escolhido como sucessor de Ratinho, embora o governador sinalize preferência pelo secretário das Cidades, Guto Silva (PSD).
A aliança entre Moro e o PL representa mais um capítulo na trajetória política do ex-juiz da Lava Jato. Em 2018, ele deixou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro, poucos dias após a vitória eleitoral do então presidente.
A relação, no entanto, se deteriorou ao longo do tempo, culminando na saída de Moro do governo em abril de 2020, em meio a acusações de interferência política na Polícia Federal.
Dois anos depois, Moro tentou viabilizar uma candidatura à Presidência com um discurso crítico ao bolsonarismo, mas não conseguiu consolidar apoio partidário, passando pelo Podemos e depois pelo União Brasil. Ainda em 2022, acabou apoiando Bolsonaro no segundo turno, inclusive participando de debates ao lado do então presidente.
Antes de ingressar na política, Moro ganhou notoriedade como juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, onde conduziu processos da Operação Lava Jato, incluindo a condenação que levou à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à sua inelegibilidade naquele pleito.
Por O Correio de Hoje







