O PT do Rio Grande do Norte oficializou, nesta quinta-feira 19, a indicação da vereadora de Natal Samanda Alves, atual presidente estadual do partido, como pré-candidata ao Senado Federal nas eleições de 2026. A decisão foi tomada durante reunião da direção executiva estadual da sigla. Após o encontro, o grupo posou para uma foto.
A legenda não divulgou se houve divergências internas em relação à indicação, mas o AGORA RN apurou que o placar não foi unânime — houve abstenções. Internamente, crescia uma ala que defendia que o PT apoiasse outro nome para o Senado, como a vereadora de Natal Thabatta Pimenta (de saída do Psol e prestes a ingressar no PV).
Em nota, a executiva destaca a necessidade de o PT apresentar um nome ao Senado que represente “unidade partidária, renovação política, compromisso com a democracia, os direitos do povo e os interesses do Rio Grande do Norte”, atributos associados à trajetória da dirigente.
“A indicação da companheira Samanda expressa a confiança do partido em uma liderança comprometida com a luta social, com a construção coletiva e com a continuidade do projeto político que transformou o Rio Grande do Norte. Sua trajetória reúne diálogo, firmeza, capacidade política e compromisso com os valores históricos do Partido dos Trabalhadores”, afirma o texto da direção executiva do PT-RN.
Em 2026, cada estado vai eleger dois senadores. A nota do PT não menciona a defesa de um 2º candidato na disputa. Internamente, porém, é colocada a possibilidade de apoio à candidatura do ex-senador Jean Paul Prates (PDT).
A escolha de Samanda Alves para concorrer ao Senado ocorre após a governadora Fátima Bezerra desistir de ir para a disputa. Com a decisão, Fátima permanecerá no governo até o fim do mandato, em 5 de janeiro de 2027. Por lei, ela teria de deixar o governo até 4 de abril para ficar apta à disputa eleitoral de outubro.
Em uma nota divulgada na terça-feira 17, Fátima explicou que o plano de disputar o Senado foi inviabilizado após a decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o governo após sua renúncia. A dupla vacância, se confirmada, levaria o Estado à realização de uma eleição indireta na Assembleia Legislativa, na qual o PT não teria garantia de eleger o sucessor. Nos bastidores, o PT conta hoje com apoio de cerca de 8 deputados estaduais, número insuficiente para alcançar os 13 votos necessários para eleger governador e vice para um mandato tampão. A Assembleia tem, ao todo, 24 parlamentares.
Na resolução publicada nesta quinta-feira, a direção estadual do PT destacou a decisão da governadora de permanecer no cargo até o fim do mandato, classificando o gesto como sinal de “responsabilidade política, generosidade e profundo compromisso com o povo potiguar” e com a “estabilidade institucional”.
“Trata-se de uma decisão que reafirma a prioridade na continuidade das ações de governo, na consolidação das conquistas alcançadas e na defesa do Rio Grande do Norte. A trajetória da governadora Fátima Bezerra é marcada pela coragem de tomar decisões difíceis em nome de um projeto coletivo”, acrescenta a nota do PT.
O PT frisa que a eleição de senadores progressistas é considerada fundamental pelo partido na próxima eleição. “O Senado Federal terá papel decisivo na conjuntura nacional, exigindo representantes com posicionamento firme, coerência política e compromisso inequívoco com o projeto democrático e popular. O Partido dos Trabalhadores reafirma a necessidade de que essa representação esteja fortemente alinhada com os interesses da classe trabalhadora e com a defesa da democracia”, aponta o PT.
Além da definição em torno do Senado, a resolução política reafirma a pré-candidatura do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, ao Governo do Estado, como continuidade do projeto liderado pela governadora Fátima Bezerra. “O Partido dos Trabalhadores reafirma a centralidade do projeto democrático-popular em curso no Rio Grande do Norte, que tem promovido a recuperação do Estado, a valorização do serviço público, o fortalecimento das políticas sociais e a ampliação de oportunidades para o povo potiguar”, enfatiza a legenda.
Outro ponto ressaltado na resolução foi a necessidade de articulação com partidos aliados dentro da federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, além de legendas como PSB, PDT, Cidadania e Rede, vistas como fundamentais para a construção de uma “frente ampla, democrática e comprometida com o desenvolvimento do Estado”. O texto não menciona o PSDB e o Psol, partidos com os quais Cidadania e Rede, respectivamente, têm federação.






