O cenário descrito a seguir é semelhante ao apresentado no episódio Metalhead, da série Black Mirror, transmitida pela Netflix. Na China, contudo, a realidade transcende o futuro distópico tratado no curta-metragem.
Em Xangai, cidade localizada a cerca de mil quilômetros de Pequim, robôs com formato de cachorro circulam pelas ruas com um megafone amarrado às costas. Eles medem entre 28 e 35 centímetros de altura, como um cão da raça Bull Terrier, e são capazes de “latir” ordens para os cidadãos: fiquem dentro de casa, lavem as mãos, verifiquem sua temperatura.
À noite, período em que as autoridades locais ordenaram a realização de testes de covid-19 nos residentes, o cão robô marcha pelos corredores dos apartamentos da cidade, desperta os moradores e os convoca para colocarem o cotonete na garganta. Não há possibilidade de escolha.
Full Lockdown in Shanghai, this is how they broadcast announcements.
— Jay in Shanghai 🇨🇳 (@JayinShanghai) March 29, 2022
Robot Dog + Speakers#Shanghai #COVID #Lockdown pic.twitter.com/5kJdLrnL8p
A cidade, com população de 25 milhões de habitantes, enfrenta o maior surto de covid-19 desde o início da pandemia. Para lidar com o problema, o Partido Comunista da China (PCC) impôs medidas restritivas aos cidadãos.
Mas há ainda mais contratempos. A escassez de produtos básicos em supermercados, por exemplo, preocupa a China. Em razão das políticas de isolamento, as cadeias de produção foram parcialmente interrompidas. A consequência: os cidadãos não sabem se encontrarão papel higiênico, alimentos enlatados, macarrão instantâneo e arroz nos estabelecimentos.
Wang Yushuo, um jovem funcionário da empresa chinesa de drones DJI, controla um cão robô remotamente. Ele explica que os cachorros fazem três ou quatro patrulhas por dia, dependendo da duração da bateria. “São muito eficientes”, explica, em entrevista ao jornal Financial Times. “O vírus está por toda parte lá fora. Estamos tentando evitar qualquer contato próximo.”
Xangai está entre as cidades mais vigiadas do mundo, com câmeras apontadas até mesmo para as ruas vazias. Há drones e robôs oferecendo às autoridades locais uma visão mais próxima da casa dos cidadãos. Para ampliar a capacidade de vigilância, o PCC intensificou os investimentos no setor de tecnologia.
Por Revista Oeste








